Entro em outra esfera de criação: o conto.
Não quero viver amaldiçoado pela palavra não dita! Quero falar e me fazer ouvir (ou ler)!
Por enquanto é só! Um abraço e um queijo! Té mais!
Uma noite de chuva
Cai uma chuva torrencial sobre a cidade. Todos estão em sono profundo. Em meio ao caos dos últimos dias ele consegue demonstrar frieza e dormir.
— Acorde! Tem um barulho estranho lá fora! — diz Rebeca, enquanto sacode o braço de Pedro.
Ele se levanta, caminha em direção a porta do quarto. Pára. Permanece pensativo por três segundos e volta a procurar o lugar de onde surgiu o barulho que atrapalhou o sono de sua mulher. Após muito procurar e nada encontrar, retorna para o quarto.
— É só a chuva — diz, enquanto se deita. Mal sabe ele que algo maior estava por vir.
Novamente todos dormem. Um estrondo abafado interrompe o sono do casal. Eles pulam da cama e saem rumo ao quarto do filho. A porta está trancada. Rebeca corre até a cozinha para procurar a chave reserva. Enquanto isso, Pedro tenta em vão contato com o filho que está trancado no quarto.
A angústia cai sobre o publicitário. O desespero toma seus sentidos. Agora ele está esmurrando a porta enquanto grita o nome do filho:
— Vítor! Vítor! Abra essa porta! — grita ele por diversas vezes, enquanto quase quebra a porta do quarto.
Lágrimas molham sua face. Rebeca, enfim, consegue achar a chave e abre a porta. Quando a porta é aberta o chão parece sumir para Pedro. O quarto está revirado, bebidas, drogas e remédios estão espalhados no chão e no centro de tudo está uma poça de sangue e no meio dela seu filho com uma bala na cabeça. Ele corre em direção ao filho e o toma nos braços e permanece ali por alguns minutos em contemplação à imagem do filho morto.
Totalmente desequilibrado, sai do quarto, desce as escadas e corre para a rua sem entender o motivo que levou seu filho a tomar tal atitude. A chuva cai cada vez mais forte e cada pingo que atinge seu corpo parecem facas e retalham a alma desse homem amargurado. Ele corre cada vez mais rápido e atravessa quadras e quadras sem se dar conta do que está fazendo.
De súbito cai. Suas pernas não mais agüentam correr. A dor que sente é tão grande que sufoca seu peito a ponto de bloquear sua respiração. Suas forças diminuem e ele consegue se lembrar de quando era feliz ao lado do filho. Do primeiro jogo de futebol que tiveram. Do primeiro dia de aula de Vítor, que chorava por ver seu pai ir embora e ter que ficar sozinho na escola. Dos aniversários felizes que proporcionou ao filho. Da primeira vez que surpreendeu o filho aos beijos com uma menina no portão de casa. Das broncas que sempre dava quando o menino chegava atrasado da escola. Do dia anterior. Da briga que tiveram. Da birra do rapaz em não querer aceitar a proibição do namoro pelo pai. Do momento em que a porta do quarto de Vitor bateu e se trancou. Da impotência que sentiu ao ver seu filho desfalecido.
Sua mente pára. Um silêncio sepulcral paira no ar. Pedro não sabe o que se passa. Nada faz sentido. De repente ouve alguém o chamando. É a voz de Rebeca angustiada:
— Acorde! Tem um barulho estranho lá fora!
Ele abre os olhos, se levanta. Para por alguns segundos na porta do quarto e se lembra do ocorrido a pouco. Corre. Arrebenta a porta do quarto do filho. Ao fazer isso, encontra o rapaz aos prantos com a arma na mão. Ele se lança sobre o filho e os dois iniciam uma briga pela arma. Acidentalmente a arma dispara e a bala ultrapassa o peito de Vítor e atinge seu pai.
Em seus últimos segundos de vida, pai e filho choram e pedem perdão e morrem um nos braços do outro. Num abraço terno, como há muito não conseguiam dar.

1 comentários:
Te encontrei não sei da onde, mas vim te visitar e aqui encontrei palavras boas escritas por uma mente realmente pensante.
Abçs e vou voltar...
Texto de hoje: SeR...
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